Atualizado em 14/07/2010
Everaldo Vilela tem 28 anos. Tão logo concluiu o curso de jornalismo sua pátria se encarregou de “dispensar” o diploma para o exercício desta profissão através de um ministro que entende de leis e não de jornalismo; torce pelo Clube Atlético Mineiro; É bem humorado, mas de vez em quando seu humor acaba no momento que o despertador toca. Levanta muito cedo. O mau humor não costuma durar muito.
Quando o filme é bom ele assiste de novo, não se importa de ver filme repetido. Lê bula de remédio; sempre lê o manual e o contrato; tem uma mania estranha de andar do lado esquerdo quando a companhia é uma só; também não costuma pisar na divisão do chão, na linha do passeio. Nos anúncios corre para ler os asteriscos, isso poupa tempo de ler algo enganoso.
Alguns o chamam de chato, outros de implicante, crítico. Tem um amigo que disse outro dia ser Everaldo o mais retardado de seus amigos – jurou que isso era um elogio. Deve ser mesmo pelo riso que veio em seguida. É que ele não costuma desperdiçar uma piada – que nem precisa ser boa – ainda que isso coloque em risco uma amizade.
Everaldo fala. Fala muito. E nessa falação toda costuma debater, elogiar, discordar, concordar, argumentar. Tem hora que só presta atenção, fica só observando. Fica quieto, não se manifesta. Por vezes é melhor ficar calado.
Ele fala com máquina: conversa com o computador, pede o telefone para esperar, fala baixinho com a impressora para funcionar quando ela insiste em não puxar o papel.
Quando gosta de uma música é capaz de ouvi-la mais de mil vezes. E cada vez parece a primeira.
E quando tem vontade de fazer algo? Não pensa duas vezes. Aí não tem problema ir ao cinema sozinho, pegar a estrada sozinho e parar numa cidade a 2 mil km de sua casa para realizar um sonho, conhecer um lugar, ouvir um sotaque diferente ou ver uma luz bem avermelhada de um sol indo embora.
Costuma ler vários livros ao mesmo tempo. Para um. Continua o outro. Começa um terceiro… para ler e escrever prefere a calma da noite que não tem campainha, telefone, televisão, cachorro, carteiro e chamados interrompendo.
Como toda criança nascida nos anos 80 Everaldo teve um pirocóptero que como todo pirocoptero caiu em um telhado; assistia Jaspion todos os dias; nunca viu a babá dos muppets; gostava das balinhas mirim que pareciam comprimidos e também daquele pirulito que vinha com um pozinho.
Do pré-escolar à faculdade nunca perdeu a mania de rabiscar a borracha e a última folha do caderno; Foi nessa que desenvolveu a estranha habilidade de escrever ao contrário [espelhado] e de cabeça para baixo. Fazia da borracha um carimbo e a cara de pau não lhe provocava nenhum problema em carimbar as provas da escola e assinar. Nunca utilizou uma borracha ou uma caneta até o fim: ambos eram perdidos.
Everaldo tem um amigo mentiroso, um amigo ciumento, um amigo que faz muita firula no futebol, um que se declara matador, um ruivo, um “hostil”, um “argentino”, um baixinho… Por falar em futebol ele nunca perdeu uma cobrança de pênalti e nunca perdeu um gol na cara, talvez porque nunca jogou futebol, mas isso é detalhe. O fato é que Everaldo não sabe jogar futebol. Talvez por isso tenha tentado compensar a falta de habilidade com a bola exercitando a habilidade futebolística nos livros. Everaldo é apaixonado e estuda futebol.
Talvez por levantar muito cedo Everaldo não gosta do horário de verão assim como não gosta de fígado e da legenda branca do filme além de detestar cigarro a ponto de reclamar com os amigos fumantes.
O relógio é sempre no braço direito; não tem problemas em ir a quase todos os lugares de bermudas, havaianas e camisa do Galo.
Faz aniversário dia 14 de julho, mas estava programado para 15 de agosto. É que nasceu de 8 meses. Nasceu em Belo Horizonte onde vive até hoje. Em conseqüência disso fala mineirês fluentemente, vai ao Mineirão (odeia cambistas), gosta muito do rodízio de massas no La Greppia, das luzes de natal na Praça da Liberdade, do “formigueiro” na Praça 7, do ar interiorano do Mercado Central, da cidade que tem como pano de fundo a Serra do Curral. Usa trem como palavra coringa e como todo bom mineiro “come” um pedaço das palavras algumas outras coloca no diminutivo, não ri, racha os bico…
Na internet odeia os arquivos pps, detesta correntes e respostas automáticas. Tem um blog que não foi, não é e nunca será um diário. É apenas um registro escrito de observações. Como um marcador de livros que aponta e remete para alguns assuntos.
Everaldo já experimentou a sensação de voar; já viu um pôr do sol deslumbrante no alto de uma montanha, já tomou banho de cachoeira, já esteve em uma praia paradisíaca, já desceu um pouquinho mar a dentro… se “alimenta” de risos espontâneos, críticas vorazes, demonstrações discretas, porém sinceras de qualquer que seja o bom sentimento. Guarda na lembrança momentos simples e peculiares que levará para a vida inteira.
Atende pelo nome de Everaldo, pelo apelido de Queninho. muitos chamam de ‘veraldo’, outros de ‘veraldin’, tem um que chama de Mula. No futebol é Evegol.
Everaldo, Queninho, Veraldo, Veraldin, Evegol… “crê nos risos e nas lágrimas como antídoto contra o ódio e o terror” (Chaplin)
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Vc.parece meu filho…de tão ‘igualzinho’.
vou ‘trazer ‘o meu verdadeiro que é adotivo aqui…ele tem só 12,mas vai gostar…
Até….
que medo, em algumas partes do texto parece que está me descrevendo.