Basta olhar o arquivo do blog para perceber que há muito tempo não aparecem escritos por aqui. Por outro lado aumentou muito nesse período o movimento no álbum de fotos do flickr.

A imagem ocupou o tempo do texto. Tecnicamente não parei de escrever, afinal, a fotografia é esse ato de escrever com luz e está por toda parte o tempo todo.

Eu penso que fotografar é também um exercício. À medida que vamos fotografando vamos melhorando e percebendo mais coisas. Parece que o olho “vê mais”.

Confesso ter um pouco de preguiça de quem se dedica e se restringe à análise estritamente técnica e/ou pessoal quase fria. Querer dizer se uma foto é boa ou não é muita pretensão, sobretudo neste universo onde a vaidade faz limite com o pedante. Das mesma forma que cada um tem seu modo de escrever, o modo de fotografar é como uma impressão digital. Uma mesma cena pode ser descrita de diversas formas ao passo que seu registro em imagem pode tantas outras maneiras de ser guardado. Algumas ideias estão em andamento para uma série de fotografias que precisarão de tempo e paciência, mas o simples fato da construção dessas ideias já torna o ato de fotografar mais interessante.

A pergunta que sempre fica é: fotografa-se para quem? Se me fizerem essa pergunta agora respondo que fotografamos para o registro, para o experimento, para a memória. Gosto mesmo é do registro. O jornalismo talvez tenha arraigado neste que vos fala o desejo pelo registro.

Atualmente os jogos do Galo marcados por fortes emoções tem na minha memória imagens que fiz e que quando são (re)vistas remetem à sensação daquele momento. Mas e os que não estavam lá naquele momento o que sentem ao ver aquela imagem? Sentem alguma coisa?
Outro dia uma colega dos tempos de faculdade disse que foi para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros também porque algumas fotos que fiz de lá a inspiraram e provocaram nela a vontade de conhecer. A sensação ao ler isso foi boa. É como se a foto levasse até ela um pedaço daquilo tudo. Um fragmento, um instante. Dos lugares que fui as fotos me fazem ouvir o barulho, sentir o cheiro, lembrar de pessoas, de situações, de lugares, de climas, de sabores…

E nesse misto de hobby  e aprendizado é bem legal quando aquela foto que você fez mês passado já não é mais a mais legal/bonita que você considera porque uma nova surgiu e ‘roubou’ seu lugar. É como música que de tempos em tempos alguma está ali “marcando território” compondo um momento. Por vezes aquela canção lado B do álbum velho é a que marca e te remete a algo outrora despercebido.

É instigante e ao mesmo tempo inspirador pensar que amanhã poderá surgir uma nova fotografia que logo logo não será a mais legal/bonita,  pois será substituída por outra, outra e outra.. outra… e é atrás dessa outra que seguimos incansáveis capturando um feixe de luz que tem muito o que falar. Vai ver que é neste feixe de luz que está aquela coisa que ainda te emociona.

Esse post é surgiu fruto de um imenso prazer de registrar o pôr do sol no Pontal do Atalaia no mês passado. Neste 25 de abril de 2015 é, das minhas fotos, a que mais gosto.

Pôr do Sol Pontal do Atalaia

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