Há exatamente cinco anos acontecia no Rio de Janeiro um dos crimes que mais me marcaram: um veículo assaltado e uma criança de seis anos de idade arrastada por sete quilômetros. A criança morreu. Você lembra o nome da criança?
João Hélio Fernandes, ou simplesmente João Hélio foi vítima de uma brutalidade sem igual. À época uma mobilização tomou conta do país: passeatas pedindo paz pipocaram no Rio de Janeiro. Políticos oportunistas alardearam mudanças na lei para que punições mais severas fossem aplicadas em crimes do tipo e prometeram mudanças no código penal. No calor dos acontecimentos muito se prometeu e nada foi feito.
Passados cinco anos João Hélio é nome de uma praça que fica próxima do local onde morreu. O nome do menino também foi dado a um parque em Nova Friburgo no subúrbio do Rio.
Hoje, cinco anos depois, todas essas pessoas que foram às ruas, as autoridades, o governador Sérgio Cabral, eu e você deveríamos procurar a família do Menino João Hélio e pedir desculpas pela nossa incompetência, nossa falta de memória, nossa incapacidade de nos mobilizar e modificar algo. Afinal, passados cinco anos nós não fizemos nada. Nada mesmo.
