Na noite que começou com Exagerado de Cazuza, teve a dobradinha Três Lados + Vou deixar com Skank e terminou com Every Teardrop Is a Waterfall eu, extasiado, ainda não me dava conta de que havia vivido um momento inesquecível.

“Sinto meu coração começar a bater com a minha música preferida”(1)

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(1) Trecho de “Every Teardrop Is a Waterfall” do Coldplay

Ter ficado horas na fila da tirolesa só valeu a pena porque o Pedro é muito gente boa e bom de conversa. Eu desisti da tirolesa quando Frejat entrou no Palco Mundo. Era dia de Skank e Coldplay. Eu havia descido há cinco meses numa tirolesa de 850 metros, portanto, aquela poderia ficar para outra ocasião.

Camisa do Galo, camisa de Minas Gerais e uma ansiedade danada para ver o tão esperado show. A câmera era para alguns registros. Nada de assistir o show pela telinha da câmera. No Rock in Rio eu fui para me divertir.

SÁBADO, 1º DE OUTUBRO – O SEGUNDO DIA

É até difícil contar o que aconteceu nesse sábado de 2011. O público se entregou pra divertir, não tinha como dar errado.

FREJAT – “vontade de dançar até o amanhecer
Abandonei a tirolesa. O último show do Frejat que eu tinha assistido foi na calourada da faculdade – lembrei disso por lá. Exagerado foi a canção que abriu os trabalhos na tão esperada noite. Repare no vídeo do show – aqui – a galera estava disposta a se divertir. Você não entende nada continuou embalando a moçada. Uma emoção à parte foi cantar Você, de Tim Maia. Segredos fez um mar de braços para um lado e para o outro tomar conta do local. Emoção mesmo, foi quando ele chamou o filho para cantar “Malandragem”, numa homenagem à Cássia Eller. A música foi cantada a plenos  pulmões pela galera. “Por você” colocou TODA a cidade do Rock com os braços pra cima cantando. Para encerrar teve Ainda é cedo de Legião Urbana, Bete Balanço do Barão e para finalizar, Puro êxtase, o nome da canção já explica tudo.

SKANK – “vou deixar a vida me levar!!!” 
O Skank fez a mineirada se sentir em casa na Cidade Maravilhosa. Mil acasos foi a primeira música. Uma partida de futebol, com 100 mil pessoas, camisa do Galo… como descrever a sensação?

Mas o primeiro grande momento do show para mim foi quando cantaram “Uma canção é pra isso”. Eu gosto muito dessa música. Explica um pouco o porquê de gostarmos de música: “uma canção é pra ascender o sol no coração da pessoa”. É proibido fumar, clássica, fez ecoar o grito do que é proibido fumar. Veio então a belíssima Negra Li para cantar Ainda gosto dela. Jack Tequila foi o último relax do show. Porque dali adiante foi pra não esquecer nunca mais.

O coro e as palmas do público cantando Acima do sol foi de chorar. Em seguida chegou um dos momentos mais esperados por mim deste festival: a dobradinha Três Lados + Vou deixar. Samuel Rosa chamou as câmeras e pediu camisas, bandeiras girando no ar… prontamente atendido a cidade do Rock “tremulava”. Velho conhecido da coreografia a camisa de MG já girava no ar acompanhada de milhares de outras de estados, clubes de futebol, bandas… o violão já anunciava a canção… uma garota com uma bandeira gigante do Galo aparece no telão… não sei explicar o que eu senti nessa hora. Veja aqui e tente entender. “Vou deixar” é, sem dúvida, o ponto alto. Embalados por Três Lados é impossível não gritar ‘a vida me levar…’ Veja aqui. Que orgulho de ser mineiro!

O clássico Garota Nacional diminui o ritmo deixando para Sutilmente o descanso antes de se despedir. Vamos Fugir que eu curto demais, é a penúltima canção do Skank na noite. Saideira encerra a apresentação.

A partir desse momento minha cabeça estava na última atração da noite. Enquanto o Maná tocava eu fui comer alguma coisa. Quando o Maroon 5 entrou no palco eu só aguardava o fim do show. Não sou fã da banda e aguardei pacientemente o fim da apresentação deles que animou bastante o público. Eis que termina o show do Maroon 5… vinte minutos apenas…

COLDPLAY

E todas as crianças dançam, todas as crianças a noite toda
Até que a segunda-feira de manhã pareça outra vida
Eu aumento o volume da música
Dessa vez eu vou curtir
E o paraíso já está à vista

Trecho de “Every Teardrop Is a Waterfall” do Coldplay

Todas as luzes se apagam. Uma plateia em delírio grita. Vai começar…

A trilha de ‘De volta para o futuro’ anuncia o início do show. Mylo Xyloto que dá nome ao novo trabalho inicia o show acompanhada de fogos de artifício que cruzam o céu sobre o palco. Uma explosão de fogos e…

Hurts Like Heaven, inédita, começa. No telão bonequinhos coloridos correm em sentido contrário… eu não podia acreditar no que via. A ficha cai: estou no show do Coldplay no Rock in Rio… no telão os bonequinhos voam. Ao fim o vocalista chama a plateia: “teyn augain ai?”  Chris Martin larga o piano e pega um violão. Nos primeiros acordes foi impossível conter as lágrimas; emocionado, chorei. Yellow é a música dos ingleses que eu mais gosto. Já havia assistido várias versões em shows pelo mundo, mas no meu país, um público entregue e todos cantando a plenos pulmões, pulando… a luz amarela… Nenhum momento me deixou mais emocionado nos três dias de festival.

In My Place fechou o trio de canções de abertura. A chuva de papéis em formato de borboleta e o refrão gritado com empolgação. Foi nessa canção que o vocalista conquistou o público, como se precisasse de tal mimo. Para delírio geral grafitou na parede do Palco Mundo a palavra ‘RIO’, no lugar da letra ‘O’ um coração. Chris Martin saudou a plateia com um ‘boa noite amygos’; agradeceu por terem esperado o dia todo para vê-los e vieram duas canções do novo álbum: Major Minus e Paradaise que parecia velha conhecida. Lost trouxe a batida para a Cidade do Rock e no fim o vocalista entoou ‘Mas que nada’ de Jorge Ben. Fechando o ‘trio’ de canções com batida forte veio Violet Hill que teve um mais que perdoável deslize do vocalista no violão e God Put A Smile Upon Your Face.

Era chegada a hora de outra música que figura para mim entre as mais bonitas da banda: The Scientist. O piano conduziu a emoção de cada um que por lá estava… antes de mais uma inédita ele saúda a plateia: direita, esquerda, fundão e frente! rsrs Us Against the World é a nova canção apresentada quando ele se junta ao baterista Will Champion vozes e cordas apenas…

Aos gritos de ‘olê olê olê olê Coldplay! Coldplay!’ veio Politik que encerrou no piano… piano que anunciou o que foi eleito o hit do Rock in Rio: “Durante grande parte do espetáculo, os fãs do grupo britânico entoaram o coro de "Viva la vida" como se fossem uma torcida de futebol”. As primeiras notas de Viva la vida no piano a Cidade do Rock inteira entoava o grito! Arrepio só de lembrar. ‘Viva la vida’ invadia a Cidade do Rock protagonizando mais um momento inesquecível. No final da mais empolgada das canções um momento que me deixou maluco: num gesto em que parecia reverenciar e agradecer o público Chris Martin se ajoelha ouve o público e decola de punho erguido pulando durante o refrão aos gritos da plateia. Emoção, euforia e delírio, puro! Para perder o calor do público veio a nova Charlie Brown que convidou a galera para pular. De volta ao piano Life Is For Living foi a última… a banda se despede e sai do palco. A última?

FINAL APOTEÓTICO

O público entoa o grito de ‘Viva la vida’ e bate palmas. Ninguém arreda pé. Mal sabiam que estava por vir um final apoteótico. Cerca de dois minutos depois de saírem do palco os músicos retornam para um final matador. Chris Martin vai direto para o piano. Feixes de laser cruzam sobre nossas cabeças no mesmo instante em que o piano anuncia Clocks! Por falar em feixes de laser, o show do Coldplay é de encher os olhos. Em cada música um trato visual que cria uma atmosfera ímpar. Chuva de borboletas, feixes de laser por toda a Cidade do Rock – havia laser lançado da metade para o final do público permitindo que quem estava lá no fundo também participasse da festa – bolas coloridas para a turma do fundão, fogos de artifício e arte no telão: cada música uma forma diferente como a banda era mostrada no telão.

Clocks fez, mais uma vez, a plateia do Rock in Rio decolar, como decolaram os bonequinhos na primeira música. Talvez a música mais conhecida da banda. Foi a música que escolhi há alguns anos para um vídeo da turma de faculdade.

Ainda ao piano, Chris Martin homenageou Amy Winehouse (Rehab) antes de cantar Fix You. “Luzes vão te guiar para casa”… reações emocionadas na penúltima música da noite. Música que fez a plateia decolar quando o vocalista girava a camisa no ar e fogos de artifício explodiram… ao fim perguntou se havia tempo para mais uma música. Claro que tinha. Agradeceu a todos e aos demais grupos que tocaram naquela noite. E veio a catarse.

Feixes de laser verde formavam uma onda sobre nossas cabeças… no palco, um vocalista empolgado que parece estar se divertindo tanto ou mais que o público após 1h15 de show… na plateia um público extasiado que quer mais. Era chegada a hora de se despedir. Dizem que a despedida é um momento triste. Nesse caso não foi. Every Teardrop Is a Waterfall!!! nenhuma outra canção poderia fechar uma noite como a de 1º de outubro. “Eu aumento o volume da música(…) Sinto meu coração começar a bater com a minha música preferida”.

No fim da música alto astral… uma queima de fogos com bateria a mil, gritos do vocalista e uma plateia em delírio. De encher os olhos! De encher a alma. Estava encerrado o espetáculo do Coldplay no Rock in Rio.

Abraçados e segurando a bandeira do Brasil os músicos saúdam o público extasiado que aplaude em peso. Chris Martin lança sua última demonstração de carinho por aquele momento. Um beijo no piso do palco mundo do Rock in Rio e lá se vai a banda que acabara de proporcionar o melhor show da minha vida.

Eu seria capaz de resumir esse 1º de outubro em uma palavra: Felicidade.

Felicidade pura: Every Teardrop Is a Waterfall e o final apoteótico

 

A música que mais gosto com a platéia empolgadíssima: Yellow foi o melhor momento do Rock in Rio.

Leia também: Overdose: expectativa, ansiedade e o primeiro dia de Rock in Rio – parte 1 de 3

PS.: Obrigado ao Lucas Conrado, Bruna Acácio, Larissa Giardini e Pedro Souza pela companhia nesse dia. No terceiro e último post sobre o Rock in Rio comento sobre as companhias desse dia e os papos de alguns minutos com outros fãs de música e torcedores de futebol ao longo dos três dias de festival.

O texto das falas do Chris Martin foram escritos da maneira como o próprio vocalista escreveu na colinha pregada no piano. Clique na imagem para ver.

colachris

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