No imaginário de qualquer torcedor de futebol há um desejo, um sonho: o de ver o seu time conquistar um título dentro de casa com um gol do ídolo. Os 60 mil torcedores que estiveram no Mineirão neste domingo tiveram esse desejo realizado.
A Massa viveu uma semana de êxtase que não poderia ter final melhor. Parecia um filme. No domingo passado a vitória sobre o Ipatinga em seus domínios deu ao Galo vantagem considerável para o jogo de volta. Além disso, o futebol apresentado mostrava a vontade do Galo de levar a taça. Mas no meio da semana tinha o Santos dos badalados Meninos da Vila.
O Galo não tomou conhecimento do adversário e impôs seu futebol dentro de casa para uma torcida alucinada. Este foi o melhor jogo que já assisti em um estádio. Foi também um dos mais emocionantes. Mal sabia eu o que estava por vir…
FESTA DO MAR DE GENTE
Tão logo cheguei ao Mineirão para o jogo da final já era possível sentir que aquela seria uma tarde diferente. Um mar em preto e branco ilhou o Mineirão. Aos poucos, o “mar” inundou as arquibancadas do estádio completamente tomada de torcedores. Enrolados em bandeiras, com faixas no peito, nas testa e vestindo o manto sagrado seguiam aos gritos, assobios, buzinas cantando e promovendo uma grande festa no entorno do estádio.
O primeiro tempo morno serviu para que os torcedores reservassem energias, coração e lágrimas, pois os Deuses do futebol preparam, melhor que muitos roteiristas do cinema, um grande final, um final apoteótico.
Diego Tardelli, 24 anos, é o mais recente ídolo da torcida. Tardelli vestiu a camisa do Galo e sua identificação com a torcida foi imediata. O jogador é saudado com um grito de “Tar-de-li Gol! Gol!”. O chamado não é por acaso a Massa sabe o que diz e o artilheiro sabe como poucos o caminho do Gol. E se a massa pede, o artilheiro atende: aos 25 minutos do segundo tempo depois de um ótimo passe de Corrêa, Muriqui cruzou e a bola encontrou o pé dele, Diego Tardelli, nesse encontro ela tem um destino só: o fundo do Gol. Para delírio da torcida que enlouquece nas arquibancadas e a plenos pulmôes. Começava a festa do 40º título Mineiro do Atlético. Mas o melhor ainda estava por vir…
? OLÊ MARQUES!! OLÊ MARQUES!! ?
Eu amo o Atlético. O Atlético faz parte da minha vida. Eu agradeço tudo que essa torcida maravilhosa fez por mim - Marques, ao fim do jogo
Por diversas vezes a torcida pediu a entrada de Marques.
Marques Batista de Abreu tem 37 anos e chegou ao Galo em 1997. Saiu em 2002 para o Nagoya Grampus do Japão. O ídolo voltou ao Galo em 2005 e, após o retorno ao Japão, voltou ao Galo em 2008. Conquistou com o Galo a Copa Centenário e da Commenbol (1997), os campeonatos Mineiro de 1999 e 2000.
A relação do atacante com o Atlético é comparada à de Marcos com o Palmeiras e Rogério Ceni com o São Paulo dada a identifcação do jogador com o Clube. Marques é o 9º maior artilheiro da história do Atlético e também fez artilheiros: Valdir e Guilherme devem boa parte de seus gols às assistências de Marques. Este último foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1999 que o Galo chegou à final e ficou desfalcado de Marques já no decorrer do primeiro jogo da decisão.
Se em 1999 o Xodó da Massa não fez o gol do título as idas e vindas do futebol trariam Marques para a tarde de 02 de maio de 2010.
Aos 32 minutos o autor do milésimo gol do Galo em Campeonatos Brasileiros entrou em campo para alegria dos milhares de torcedores que já estavam em festa.
Quisera os Deuses do futebol que o último capítulo dessa história tivesse como protagonista o Xodó da Massa: aos 42 minutos o atacante partiu com a bola do meio de campo e tocou para Ricardinho próximo da meia lua. Num passe magistral fez a bola chegar entre Marques e o goleiro dentro da pequena área: bastou um toque para desviar a bola que encontrou calmamente as redes [veja]. O Mineirão veio abaixo! Era o maior ídolo dos últimos tempos fazendo um Gol que sacramentava o título! O barulho ensurdecedor anunciava o alívio, a alegria e a glória…
O comportado Marques tirou a camisa e a colocou na bandeirinha de escanteio. Carregado pelos companheiros a camisa pendurada na haste da bandeirinha tornou-se um bandeirão! A camisa que vestiu o ídolo desta vez regia um coro inebriante de vozes; tremulava na haste no ritmo da Massa que vibrava nas arquibancas provocando as mais variadas reações: alguns pareciam não acreditar, outros se viram com os olhos cheios d’água, muitos gritavam alucinadamente e todos, em coro fizeram o Mineirão receber da Massa o maior e mais emocionado canto da noite: ? OLÊ MARQUES!! OLÊ MARQUES!! ? OLÊ MARQUES!! OLÊ MARQUES!! ?
Caminhando para seu campo Marques não resiste e, chorando, ajoelha no gramado e reverencia a torcida que sempre lhe acolheu e carregou nos braços. O cruel cartão amarelo que pune momentos de glória surge, mas nessa hora isso não tem importância.
Não poderia ter sido melhor. Os dois maiores ídolos da história recente do Galo fizeram o Gol.
Tardelli que chegou agora pode ficar por muito tempo se as moedas estrangeiras assim permitirem. Ano passado o jogador chegou a dizer que se o Presidente Kalil quisesse faria um contrato vitalício com o Galo. O jovem atacante sabe homenagear a massa. Contra a chapecoense ele homenageou Reinaldo. Ontem antes de levantar a taça Tardelli fez uma provocação lustrando a taça com uma flanela.
A noite parece, para mim, a passagem de um bastão. O abraço emocionado de Tardelli e Marques ao fim da partida me passa isso. Marques está prestes a encerrar sua carreira:
“Foi meu último Mineiro todos sabem que no final do ano eu vou encerrar. Na preleção a gente muito emocionado falei pra esse grupo o quão especial eles são pra mim e fazer parte desse grupo.” [veja]
E Marques, ao lado de Tardelli, trataram de registrar na memória do torcedor aqui mais um momento inesquecível e emocionante.
Eu agradeço.
O futebol agradece.
O pôster de Campeão
Exceto a foto da flanela, todas as fotos do post são de Bruno Cantini e estão no flickr oficial do Atlético Mineiro.

Eu vivi uma novela no primeiro tempo fora do estádio.. e qndo entrei.. chorando eu disse:
Que o Marques entree e faça 1 gol pra valer o dia…
Qando o Calango marcou eu não fiz nada.. só abaixei e chorei naquela geral…