28 de abril de 2010 – 04h20: Bastou despertar para que viesse à mente: “Hoje tem jogo do Galo”. Mas não era só isso. No caminho do trabalho sigo pensativo já contando as horas para o Jogão: Galo x Santos.

Dentro do carro a caminho do estádio eu disse para meu amigo Lucas: “O Tardelli vai fazer três gols e vai ser capa do Estado de Minas amanhã”. De imediato ele disse que eu queria que Diego Tardelli se apresentasse bem. Era verdade. Minha fala não era uma profecia ou chute: era uma vontade. Eu queria mesmo que o atacante fizesse um grande jogo.

No entorno do estádio é possível sentir o clima do jogo. Torcida empolgada, em festa, confiante. Parecia haver um pacto. Ao subir as escadas que dão acesso à arquibancada já era possível sentir que aquele não seria só mais um jogo nos meus números de torcedor. Não seria apenas o jogo número 142 presente no estádio.

Quando o time entrou em campo os torcedores todos de pé saudaram os jogadores. Neste momento um bandeirão já agitava a Massa. E não era só um. O segundo bandeirão subiu nas arquibancadas embalado por um coro que poucos instantes depois da retirada da enorme bandeira começaram a cantar “com a  alma”: é assim quando cantam o hino do Galo no Mineirão.  Os jogadores são “chamados” um por um e o melhor fica para o final: “Tar-de-lli Gol! Gol!” O barulho é ensurdecedor.

Nesse momento a memória percorre aquela vitória sobre o Flamengo em 95, os triunfos sobre São Paulo e Fluminense no ano passado… mas o juiz apita e… dois minutos depois o Diego Tardelli faz um gol!!!! Bastaram dois minutos para o time-sensação ficar atrás no placar. A torcida? Um delírio, uma loucura! Um gol tão rápido em jogo tão difícil trouxe à memória o gol de Guilherme aos 15 segundos na final do Brasileirão 1999.

O gol rápido colocou 50 mil torcedores dentro das quatro linhas: a massa invadiu o campo vaiando cada jogador do Santos que ousava ter a posse da bola. Cada corte, cada defesa, cada recuperação de bola do Galo vinha acompanhado de comemoração e aplausos. Nem a bola na trave do gol do Galo silenciou a torcida.

A cobrança de falta do Ricardinho arrancou o grito de quase gol, mais conhecido como “uuuuuhhhhh!!”. Grito que se repetiu na bomba de Tardelli que o goleiro salvou. A massa continuava a marcação cerrada nos jogadores adversários, mas Tardelli parecia querer ouvir de novo o canto com o qual é saudado pela torcida. capaem_TARDELLI SANTOS

E ele ouviu o coro em uníssono gritar seu nome depois de marcar o segundo gol e colocar o Mineirão abaixo.

O Santos diminuiu nos minutos finais. 

Que jogaço!! E ainda estava pela metade.

No segundo tempo novamente ele: Diego Tardelli invadiu a área e estufou a rede! Tardelli marcava o terceiro gol. No meio da comemoração, já com a voz sumindo, um grito  para o amigo: “Vai ser capa do jornal!!!! Vai ser capa do jornal!!!!” …

(…) No retorno pra casa a saída do estádio  com a charanga tocando ? “Vou festejar, vou festejar! ?

Aqui um vídeo desta saída no jogo contra o Fluminense em 2009.


Atlético 3  x 2 Santos no Mineirão em 28/04 pela copa do Brasil foi o melhor dos 142  jogos que já assisti estando presente em um estádio de futebol sobre todos os aspectos: qualidade técnica, jogo franco, poucas faltas, os dois times jogando para cima e, principalmente, pela emoção. Foram noventa minutos de pé com os olhos fixados no campo, “sem piscar”, cantando, gritando e empurrando o Galo.

E depois do que a torcida do Galo fez dentro daquele estádio nesta noite  eu me recuso a discutir torcida de futebol.

 

TORCIDA DO GALO CONTRA O SANTOS NO MINEIRAO

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